Comunidad Budista Sotozen

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Canto ao coração da confiança

Em 1988 traduzi ao espanhol do francês a versão e os comentários do meu mestre Taisen Deshimaru do Shin Jin Mei. Taisen Deshimaru usou os comentários do seu mestre Kodo Sawaki, muito baseados nos comentários de Keizan Jokin. Por isso os comentários do mestre Deshimaru contêm extensos parágrafos do Shin jin mei nentei de Keizan Jokin. É uma edição muito bela, com caligrafias saídas da mão do mestre Deshimaru e comentários amplos e esclarecedores.

Desde então não deixei de estudar esta obra. Movido pela minha curiosidade insaciável encontrei o texto original em chinês e propus-me voltar a traduzi-lo directamente da sua língua original. Passaram vinte anos entre a edição da tradução comentada do meu mestre e esta que apresento agora. Necessitei tempo. Traduzi um a um os 584 ideogramas chineses que compõem o texto original. A minha tradução deve muitas coisas à do meu mestre, já que sem a luz deitada pelos seus comentários ter-me-ia sido impossível desentranhar o significado de cada ideograma e decidir-me entre as múltiplas possibilidades que apresentam cada um deles. Usei a versão chinesa que foi encontrada nas covas de Dunxuan e que foi divulgada na Europa pelo professor Dusan Pajin, cujo estudo académico sobre o Xìn Xîn Ming é o mais completo e rigoroso de quantos foram publicados numa língua ocidental. A minha presente tradução deve muito ao trabalho do Dr. Pajin. Também utilizei a versão francesa realizada por L. Wang e J. Masui (revista pelo professor P. Demiéville do Collège de França) e que está incluída no obra Tch’an-Zen: Racines et floraisons, número 4 da nova série da coleção Hermes, publicada por Lex Deux Océans, Paris, 1985. Comparei outras muitas traduções inglesas e francesas, mas estas três são as que me pareceram mais coerentes e próximas ao espírito do Zen.

Com elas, e partindo do texto original em chinês, preparei a tradução que o leitor ou leitora tem nas suas mãos.

Dokushô Villalba


 

A propósito das ilustrações:

Esta edição não seria o que é sem a inestimável contribuição da minha querida amiga Annette Burnotte, artista belga cuja sensibilidade e mestria no uso do pincel nos aproxima ao espírito clássico da China, do qual surgiu o texto.